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Comunidade decide o futuro da orla de Itapema

Data de inclusão 17/10/2006 00:00



Cerca de 600 pessoas atenderam o convite da administração municipal itapemense  para a audiência pública de apresentação do estudo técnico de Impacto Ambiental, realizado pela empresa Ambiens Consultoria Técnica, para a orla de Meia Praia. A audiência, realizada na noite desta segunda-feira, dia 16, reuniu centenas de defensores da idéia de que a orla de Itapema não pode ser transformada em uma avenida, mas sim, a cidade deve se diferenciar dos demais balneários oferecendo segurança, opções de lazer e comodidade durante o ano todo.

 

A audiência foi aberta com a apresentação do Coral Vozes de Itapema, o qual recentemente representou no Brasil no Encontro Sul Americano de Corais, realizado no Paraguai. Em seguida o prefeito Sabino Bussanello deixou clara sua intenção de viabilizar a realização de um trabalho capaz de redesenhar o futuro de Itapema. Conforme ele, a audiência serve para debater um dos assuntos centrais da principal indústria do município que é o turismo, colocando em pauta o ordenamento da orla marítima, a qual, segundo ele, é uma zona essencial para o eco-desenvolvimento do município e também para a vida.

 

O prefeito lamentou o fato de o município estar hoje pagando o preço de atitudes irresponsáveis e ilegais tomadas pelas administrações anteriores que, há um ano, sem nenhuma autorização ambiental, acabou destruindo parte da orla e garantiu que seu Governo está empenhado em viabilizar um empreendimento capaz de satisfazer a comunidade e, consequentemente, levantar a auto-estima de toda a comunidade.

 

            Em seguida o Biólogo e também Mestre em Gestão Ambiental , Emerilson Gil Emerin, coordenador do Estudo de Impacto Ambiental realizado pela empresa Ambiens, iniciou a apresentação do primeiro projeto solicitado pela antiga administração, que previa o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) apenas entre as ruas 229 e 323. Emerilson apresentou um diagnóstico ambiental da área e afirmou que a Área de dunas embrionárias não existe mais, sendo que há apenas pequenas colonizações de algumas espécies, em pequenas áreas, sendo que a maioria já foi degradada há muito tempo. Apresentando as conclusões da dinâmica praial, Emerilson afirmou que a praia é semi-exposta, instável e suscetível à mudanças, também propensa a erosão, principalmente na barra do Perequê. Dando seguimento à apresentação o biólogo apresentou dados da qualidade da água, afirmando que a maioria é aceitável nas amostras coletadas no mar, não sendo aceitável nas amostras colhidas na foz do Rio Perequê e na saída de águas pluviais localizada na altura da Rua 227. 

 

            Apresentando os impactos positivos de viabilizar-se a construção de uma avenida Beira Mar no trecho estudado, Emerilson apresentou como principais itens positivos a geração de emprego e renda, drenagem e a iluminação; já entre os impactos negativos desta via para carros à beira mar, ele citou a questão da erosão praial e a necessidade de aterro e movimentação da terra, gerando ainda resíduos da construção civil. Outro ponto negativo, de fazer-se uma avenida à beira mar de Meia Praia, conforme o Estudo realizado é levar o tráfego de veículos e pedestres, bem como ruídos e o rebaixamento do lençol freático.

 

            Conforme o estudo seria necessário uma área de 12 metros para implantar uma pista de rolagem, mais o calçadão e a ciclovia e, em alguns pontos, a orla não conta com os 12 metros, sendo que a obra deveria invadir a praia ficando ainda mais suscetível à erosão. No entanto, para viabilizar a avenida, em alguns trechos seria necessário o município fazer o engordamento da praia (remanejamento de areia para ampliação da área praial), o que resultaria em despesas constantes por parte do Poder Público que, a cada cinco anos, deveria realizar a alimentação da praia.

 

            Entre as medidas mitigadoras do projeto de construção da avenida beira mar, a empresa apresentou a necessidade de sinalização para evitar acidentes, coleta seletiva de lixo, projeto de restauração das dunas, iluminação não invasiva, e policiamento deste espaço público que terá uma movimentação mais intensa e a definição de horários sem tráfego de veículos.

 

            Emerilson disse ainda que, diante dos estudos, a questão da avenida beira mar torna-se bastante impactante, sendo que, a partir daí a empresa pensou uma alternativa viável que é o aproveitamento da orla para a construção de um parque linear o qual descarta a necessidade de aterro na praia e, principalmente, o tráfego de veículos visando o bem-estar da população em geral.

 

            Por sua vez o prefeito Sabino Bussanello lembrou que atualmente há três dimensões do bairro Meia Praia. Uma situação que tem uma mini avenida feita de lajotas; a segunda que é a parte de saibro e a terceira que é a parte que continua com os jardins dos prédios que se estende da 255 até o Rio Perequê. Conforme ele, o grande impacto negativo, no momento, para o meio ambiente e a cidade, é a parte que está no saibro, exposta a céu aberto, causando transtornos e muita poeira para a população local. Sob fortes aplausos da platéia o prefeito disse que a administração aposta na construção de um parque linear o qual, segundo ele, é um projeto capaz de melhorar a condição da praia e a convivência urbana. 

 

Para o técnico da Ambiens, Emerilson Gil Emerim, todos os países estão repensando a costa para a expansão do mar que é certa. Para ele, se a avenida beira mar realmente fosse uma via imprescindível para a cidade valeria a pena a sua execução, mas lembrou que a via na orla não resolve os problemas de tráfego de nenhuma cidade.

 

            Para o projeto do Parque linear a empresa apresentou a possibilidade de fazer um passeio público, uma ciclovia, a instalação de equipamentos de lazer e segurança, construção de posto de salva-vidas, fontes de água potável, chuveiros, banheiros públicos, postos de primeiros socorros e demais equipamentos que a comunidade local e a prefeitura julgarem necessários.

 

            Emerilson disse que hoje vê que a cidade carece de um parque linear como este, sendo que as pessoas não vão para a praia apenas para tomar banho, mas buscam alternativas de lazer e por isso ele defende a implantação deste projeto. Dentre as vantagens da instalação deste parque ele cita: o acesso público seguro à orla, espaço de lazer, incentivo aos transportes alternativos, além da recuperação das dunas embrionárias que trarão maior segurança à praia e, também, à fauna nativa. Conforme ele, ao colocar em prática este projeto, o município de Itapema pode pular do mau exemplo para, com atitudes simples, ser o indutor de um novo modelo para Santa Catarina e para as praias brasileiras.

 

            Ao finalizar a audiência o prefeito Sabino Bussanello retomou a palavra afirmando que nestes 80 dias de governo buscou projetos que resolvessem os problemas centrais da comunidade. Disse também que é um eterno defensor da legislação ambiental e hoje sabe que precisa trabalhar para reconstruir a imagem da cidade. O prefeito lamentou a situação dramática da orla, pois, segundo ele,  além da situação caótica deixada pela antiga administração, existem as famílias de cantineiros que tiveram as cantinas destruídas e hoje não têm mais como trabalhar.

 

            Por sua vez o procurador do município André Bevilaqua ressaltou que pela proximidade do verão é preciso o município, junto aos órgãos competentes, acharem uma medida paliativa para darem uma resposta aos turistas e, posteriormente, elaborar o projeto que venha ser aprovado pela comunidade. A partir da aprovação da comunidade, nos próximos dias a Prefeitura deve encaminhar aos órgãos licenciados um projeto de recuperação da orla, estabelecendo o cronograma de execução.

 

            Comentando sobre o sucesso da audiência o Prefeito disse que, com tal evento, depois de muito tempo, Itapema conseguiu dar um passo decisivo para conceber uma linha de atuação que possa viabilizar a área de lazer e a recuperação ambiental que, em outras administrações, não eram tidas como coisas importantes.